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Laboratório de Biologia e Genética de peixes em Botucatu já identificou mais de 100 novas espécies

Publicado em 14 de Junho de 2024 07:22

A grande quantidade de rios, lagos e aquíferos que o Brasil abriga em seu território é um dos motivos para que aqui vivam mais de seis mil diferentes espécies de peixes – ou o equivalente a, aproximadamente, 25% de todas as espécies de água doce do planeta. Trata-se, porém, de uma estimativa, e o fato concreto é que uma larga fatia de nossa ictiofauna ainda não foi descrita pelos estudiosos, informa o jornal da Unesp.

 

Para que se possa desenvolver políticas eficientes de preservação, é preciso conhecer a fundo esta rica biodiversidade, investigando desde suas características  anatômicas e fisiológicas até seu comportamento e genética. Conhecimento também é para que se possa desenvolver pacotes tecnológicos que permitam a exploração sustentável desse recurso, por exemplo, por projetos na área de piscicultura.

 

A fim de fomentar as pesquisas na área, foi criado em 2023 o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Biodiversidade e Uso Sustentável de Peixes Neotropicais, ou apenas INCT-Peixes. O INCT está sediado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e tem como vice-coordenador o biólogo Cláudio de Oliveira. Oliveira é docente no Instituto de Biociências da Unesp, em Botucatu, e dirige o Laboratório de Biologia e Genética de Peixes da Unesp.

 

Estudo publicado em 2023 na revista Current Biology ressaltou os vazios consideráveis que ainda existem nas pesquisas ecológicas conduzidas na região da Amazônia. O artigo, fruto de um trabalho que reuniu pesquisadores de diversos países do mundo, colheu informações de mais de 7 mil locais em que foram realizadas pesquisas dessa natureza entre os anos de 2010 e 2020. Uma das principais conclusões do estudo é que parte deste “gap” de conhecimento se situa nas áreas limítrofes da Amazônia. É o caso do Matopiba, região situada a leste do bioma e que recebe este nome por abranger os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

 

No início deste ano, pesquisadores do Laboratório de Biologia e Genética de Peixes da Unesp estiveram no Maranhão, mais precisamente no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, em um projeto que pretende estimar o número de espécies que vivem nas lagoas de água doce que se espalham entre as dunas do parque, e mapear com maior precisão a distribuição geográfica desses animais.

 

 

 

Oliveira faz coro com os autores do artigo publicado no ano passado sobre o gap de conhecimento no bioma amazônico. “A gente vai toda hora para a Amazônia, e a cada visita retornamos com descobertas de novas espécies.  Acreditamos ter encontrado pelo menos cinco neste trabalho de campo nos Lençóis Maranhenses”, diz ele. Além do inventário de espécies, outro objetivo do projeto em desenvolvimento no Maranhão é entender melhor a origem dos peixes presentes nas lagoas de água doce, uma vez que a região, lembra o professor, é drenada tanto do rio Parnaíba, a oeste, quanto do rio Mearim, a leste.

(Do  Jornal da Unesp)


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